Corrida

A maratona de Paris, por Correndo na Europa parte II

A maratona de Paris, por Correndo na Europa continuando… Num piscar de olhos estávamos no décimo quilômetro e aí começam a vir aquelas coisas na cabeça: E agora? eu só fiz 10km ainda tem mais 32, eu sou louca, né?! Mas aí eu olhava aquela paisagem incrível e esquecia essas bobagens.

A primeira parte deste post está aqui.

Lá pelo 15o. Km estávamos correndo dentro do Bois de Vincennes que é um Parque da cidade que tem trechos lindos com flores e um lago, mas que depois fica bem chato, só com árvores e mais nada…e não sei porque, mas nessa hora muita gente começou a parar…andar …alongar e eu também senti minhas pernas pesarem, meu pace deu uma caída, fiquei um pouco aborrecida, mas logo passou e eu segui…

É impressionante como ao longo de uma prova como essa você sente de tudo, pensa de tudo…melhora, depois piora…melhora de novo e por aí vai…E por mais que o percurso seja lindo parece que você está lá e ao mesmo tempo não está…a cabeça fica a mil o tempo todo.

A cada 5km também passávamos nos marcadores de tempo e eles me motivavam muito porque toda vez que eu passava por eles pensava: “Agora o aplicativo da corrida vai ser atualizado e todo mundo vai saber onde eu estou!”

Cruzamos a marca de meia maratona e aí começou pra mim a parte mais bonita do percurso, corremos um bom tempo ao lado do Rio Sena, passando por baixo de pontes que estavam cheias de gente em cima torcendo, gritando e vibrando!!

E aí passamos dos tão temidos 30 quilômetros, e continuei fazendo o que fiz a prova toda: quebrando em partes e me “enganando”….Quando estava nos 30 fiquei torcendo pra chegar nos 32km onde tomaria meu próximo Gel, depois nos 35 onde o treinador estaria com Coca Cola pra ajudar a dar um gás…e realmente essa Coca Cola deu um gás, depois do Km 35 meu pace deu uma melhorada.

E a partir do 35 é impressionante como o clima da prova muda um pouco…quando não estávamos passando por um lugar cheio de gente ou com bandas era um silêncio absurdo, só se ouvia a passada das pessoas, porque a essa altura sem muita concentração é muito difícil continuar!

A gente não pode se deixar levar pelo que vemos em volta…gente quebrando, mancando, com cãibra e por aí vai..

Nessa fase eu só me lembro de estar correndo e quebrando a prova em pedaços e dizendo pra mim mesma: Se eu andar agora eu não vou mais conseguir correr, parar não é uma opção…tem muita gente torcendo por mim, me esperando, eu sou F……..! e vou terminar isso aqui….e assim fui! Mas confesso que tive momentos com vontade de chorar de desespero: “Isso aqui não vai acabar nunca??”

E aí finalmente passamos pela placa do Quilômetro 40 e eu pensei: Tá feito! Falta muito pouco agora, bora curtir!

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Passamos pela placa do Quilômetro 42 e aí eu apertei o passo, abri um sorriso enorme, comecei a chorar e quando cruzei a linha de chegada eu só consegui gritar….GRITEI! GRITEI! GRITEI tanto que uma mulher que chegou junto comigo me olhou e me abraçou e nós nos cumprimentamos!!! Tem coisa mais linda e emocionante do que isso???

E aí nesse mesmo minuto todo o desespero, vontade de chorar, de parar, de nunca mais inventar essa loucura, passa e dá lugar pra uma euforia incrível!!!

Medalha na mão, camiseta de finisher, dor sim…muita dor…mas dor que já passou e a Glória, a Euforia e a sensação de Vitória estão aqui até agora e vão ficar pra sempre!

E agora o que ficou além de tudo isso é uma saudade gigante desse dia, dessa experiência e a vontade de planejar a próxima.

maratona de paris

Se alguém te disser que correr uma Maratona é fácil não acredite! Mas se te disserem que todo o sofrimento vale a pena é a mais pura verdade! Hoje sei que sou capaz de muito mais do que imaginava e tenho certeza que se nos esforçarmos teremos o resultado que buscamos e todo o esforço será recompensado…!”

Marcela Parise

#correndonaeuropa

@correndonaeuropa

Obrigada Marcela por dividir sua maratona conosco.

Beijão e obrigada.

Ana


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