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Relato IronMan 70 3 Brasília

A primeira parte do Relato do IronMan 70 3 Brasília do Guilherme está aqui.

Logo no primeiro Km do pedal, passei por um buraco e meu aerodrink simplesmente pulou do suporte e caiu no chão. Minha única garrafa de água havia ficado pelo caminho, pensei em voltar para pegá-la, mas já que teria que recorrer aos postos de hidratação para pegar Gatorade, resolvi seguir. O pedal tava encaixado, eu vinha em uma média de 37km/h, estava me sentindo muito bem, mas essa confiança tinha prazo de validade! Por volta do km 25, um dos atletas que pedalava pela esquerda, resolveu diminuir a velocidade próximo a um posto de hidratação e, sem querer, me deu uma fechada pra pegar água. O staff esticou o braço para entregar a garrafa d’água ao atleta… Resultado, tentei desviar pra não ser atingido no rosto pelo staff e fui pro chão! Bati a cabeça (estava de capacete), ralei o joelho, ombro e quadril.

Me levantei meio desnorteado com a ajuda de um espectador da prova (o staff fingiu que nada havia acontecido) e, por causa da tensão do momento, as duas pernas puxaram câimbra na mesma hora! Sentei na beira da estrada, vi meu joelho sangrando e senti o capacete solto na minha cabeça, estava quebrado!

Confesso que por alguns instantes pensei em desistir da prova, mas algumas coisas e pessoas vieram à minha cabeça enquanto eu estava ali sentado que me deram força para levantar e subir na magrela. Decidido a voltar à prova eu tinha que sentar o pé para tirar o atraso mas até conseguir me concentrar novamente na prova demorei um pouco!

Segui fazendo muita força, aparentemente o meu ritmo do pedal estava forte. Aos poucos fui ultrapassando alguns atletas que haviam me passado após o incidente mas quando olhei o ciclocomputador o ritmo estava em 28km/h, foi quando eu percebi que havia quebrado com a queda. Ótimo, estava pedalando sem ter noção da velocidade e sem saber a distância restante, mas tudo bem, isso era só mais um detalhe!

As câimbras estavam me assombrando, tinha que aproveitar o embalo das descidas para soltar as pernas e esticá-las um pouco. Como não tinha noção da distância que faltava até a T2 (transição 2) perguntei à um dos atletas e, com pouco mais de 2 horas de pedal me restavam 16km, continuei naquele ritmo suicida e consegui fechar os 90km em 2h34’36”, 4 minutos e meio acima da meta!

Soltei o velcro da sapatilha, retirei o pé direito, posteriormente o pé esquerdo, passei a perna direita por cima da bike ainda em movimento, desci da bike correndo e a entreguei para o staff. Nesse momento eu não sentia as pernas, depois da queda e de sentar a bota no pedal as pernas estavam duras. Corri em direção à área de transição, peguei minha sacola com os equipamentos da corrida, sentei na cadeira para calçar o tênis e: “Cadê a meia?”. Falei todos os palavrões que eu conhecia enquanto colocava a viseira, calcei o tênis e parti para a meia maratona. Foi aí que bateu o desespero! Para quem esperava tirar o atraso na corrida foi uma decepção, a modalidade que eu costumo me dar melhor me travou!

As pernas não respondiam e no primeiro km me vi obrigado a parar para tentar alongar. Me apoiei em um poste, busquei meu pé direito para alongar o músculo anterior da coxa e senti um princípio de câimbra no músculo posterior, na mesma hora estiquei a perna e tentei tocar a ponta do meu pé direito para alongar a posterior, resultado, câimbra no músculo anterior. Agachei e fiquei ali por volta de 10 segundos. Tanta coisa já havia dado errado que não seria uma câimbra que me impediria de cruzar a linha de chegada!

Segui na prova correndo devagar, em alguns momentos sentia certo alívio, outras horas a dor era insuportável mas não me dei outra opção senão seguir até o final. Corri muito mal, trabalhando com intenso desconforto durante toda a prova.

Restando 1km para o fim da prova os espectadores já começavam a fazer a sua parte e aquela energia ia contagiando, as pessoas gritando seu nome é algo emocionante! Dei o último gás, gastei tudo o que eu tinha, fiz muita força, dei meu melhor e foi o que consegui fazer, fechei os 21km em 1h46’38” e cruzei a linha de chegada em 4h59’36”.

Um tanto decepcionado por não ter conseguido alcançar a minha meta mas ao mesmo tempo feliz, porque realmente, foi um dia que me coloquei à prova, venci meus limites e me superei em uma prova onde o preparo físico ficou em segundo plano, minha cabeça me levou até o fim dessa GUERRA!

Agora é pensar no próximo desafio e continuar trabalhando duro!

*Não preciso dizer que você arrebentou Gui, eu te admiro demais, quantas pessoas teriam a coragem de continuar depois de tudo que você passou, para mim a medalha de campeão é sua.

Obrigada por contribuir para o blog.

Beijão Ana #corracomigo


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4 Comments

  1. Parabéns! Todo triatleta é um guerreiro. Não entendi o 70.3 no nome do Iroman, e eu pensava que fosse 42k de corrida…

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    1. Author

      Oi Marcia obrigada pelo seu comentário, existem dois tipos de IronMan o full que é o que nada 3.8 km, pedala 180km e corre 42km, e o meio IronMan ou 70,3 (que é o equivalente aos kms totais em milhas) onde se nada 1.9 km, pedala 90, e corre uma meia 21k. Beijão

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